Deep Sky

Quando falamos de observar DSOs-Deep Sky Objects, ou Objetos do Espaço Profundo, como por exemplo, galáxias distantes, logo pensamos que é absolutamente necessário utilizar grandes telescópios. Isso de fato é uma realidade, pois para se visualizar objetos celestes de brilho tão fraco, prejudicados ainda pela extensa poluição luminosa que varre nossas cidades cada vez mais, torna-se necessária a utilização de telescópios de grande abertura. Mas recentemente circularam na Internet comentários de astrônomos amadores que se valeram de instrumentos bem menores para poder apreciar a beleza das galáxias. Vamos comentar alguns detalhes aqui.

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Quando falamos de observar estrelas, logo vêm à mente a ideia de magnitude. Esta ou aquela estrela é mais ou menos brilhante. Recordando, o olho humano, em condições ideais, pode chegar a ver estrelas de magnitude 6. Esse valor vai servir de comparação quando falarmos das galáxias logo a seguir. Mas quando o caso é observar objetos difusos e não estelares como as galáxias, há um outro parâmetro de avaliação de brilho, chamado Brilho de Superfície. O Brilho de Superfície (em inglês, Surface Brightness) é a quantidade de brilho emitida por um objeto celeste por unidade de área, expressa em magnitudes por minuto de arco quadrado ou segundos de arco quadrado.Exemplo: Se uma galáxia que vamos observar possui o Brilho de Superfície de 13,5, isso significa que cada minuto de arco dessa galáxia brilha como se fosse uma estrela de magnitude 13,5. Desfocando-se uma estrela de 13,5 magnitude até que seu diâmetro fique próximo de um minuto de arco vai dar uma ideia do tênue brilho que isso significa, por isso a grande dificuldade de se visualizar galáxias, ainda mais de locais com grande índice de poluição luminosa. Portanto, quando maior a área em minutos de arco que se estende uma galáxia, mais difusa ela será, e consequentemente, menos visível. Ao contrário, se a galáxia tem um diâmetro aparente menor, porém, seu brilho será relativamente mais concentrado, facilitando a sua observação. Logo, às vezes vale mais a pena ver a galáxia menor e mais brilhante do que maior e mais fraca.

Exemplo de uma galáxia com baixo Brilho de Superfície, foto obtida pelo Telescópio Espacial Hubble

Exemplo de uma galáxia com baixo Brilho de Superfície, foto obtida pelo Telescópio Espacial Hubble

Logo, fica a frustração do astrônomo amador, se não dispondo de instrumentos poderosos ele poderá ver algo no campo das galáxias? Uma rápida pesquisa na Internet mostra que sim, segundo alguns astrônomos amadores de Israel. Eles indicam ter sido capazes de observar diversas galáxias, tanto do catálogo Messier como NGC, com o uso de binóculos. Vamos ver o comentário de um deles:

“Olá Thomas, sim, há diversas galáxias que podem ser vistas com um binóculos de 50mm de abertura. Aqui indico as que observei sob céus escuros(magnitude 4.5 ou melhor) com binóculos  7×35, 8×35, 8×40, 10×50 and 11x48mm. M104, M106, M51 & NGC 5194, M74, M82, M81, NGC 3077, M31, M32, M110, M33, M77, M65, M66, NGC 2903, M101, M94, M63, M105, NGC 2976, M95, M96, e NGC 253. Eu estou absolutamente seguro que há muitas outras galáxias que podem ser observadas com binóculos tamanho padrão.”

Vale ressaltar que procurar um local afastado dos grandes centros é essencial para tentar visualizar essas galáxias. A poluição luminosa interfere violentamente quando da observação desses DSOs. Os integrantes do GPAA constataram que, diversos aglomerados globulares, facilmente visíveis da fazenda onde eles têm o seu posto de observação, a 20 quilômetros da cidade de Ponta Grossa, são totalmente invisíveis a partir da área urbana. O uso de binóculos de maior potência também ajuda nesse caso, como os 12×80, com maior abertura. Porém, fica evidente que por meio de binóculos não vamos ver as galáxias em todo o seu esplendor, mas quase sempre uma “manchinha” alongada, quando muito com alguns detalhes. Porém, o fato de se poder observar uma distante galáxia por meio de mero binóculos já é algo compensador.O artigo a seguir, retirado da Internet, mostra o incentivo de um astrônomo amador e seu sucesso em observar algumas galáxias, usando tão somente um binóculos 7×35:

Observando galáxias com binóculos

Então, você pensa que a Astronomia de Espaço Profundo só pode ser feita com um grande telescópio? Pense novamente! Há alguns alvos para os quais você não precisa um telescópio.

Eu observei seis galáxias usando visão direta com meu binóculos 7×35:

Messier 31

Messier 81

Centaurus A

Messier 83

Messier 33

NGC 253

Vale ressaltar que na maioria das vezes, quando as condições atmosféricas permitirem, visualizaremos a imagem das galáxias com pequenas dimensões, porém, com um brilho razoável. Isso é melhor do que visualizar a imagem com um aumento maior, porém, consequentemente, com um brilho menor, o que difunde muito a imagem da galáxia, dificultando enormemente a sua observação, portanto, o tamanho aparente da galáxia no momento da observação não é o fator essencial.

Exemplo de binóculo indicado para a observação de galáxias devido à sua abertura: 15 x80

Exemplo de binóculo indicado para a observação de galáxias devido ao seu aumento e abertura: 15 x80

Desenho feito da galáxia Messier 51, por um astrônomo amador da Rússia, usando tão somente um binóculos 7x 50

Desenho feito da galáxia Messier 51, por um astrônomo amador da Rússia, usando tão somente um binóculos 7x 50

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